21 de fevereiro de 2017

As lombadas se invisibilizam


Um Mês no Campo, de J. L. Carr. Faz alguns anos que vi esse livro no catálogo da NYRB, fiquei interessado mas não fui atrás – por algum motivo que não lembro e outro que lembro: eu não gosto das edições da NYRB. Os títulos são maravilhosos, as capas são bonitas, mas o livro é um pouco estreito, o miolo é colado (sem costura), a letra é pequena e a impressão vacila em algumas páginas.
Eu não sabia que esse livro já tinha sido traduzido no Brasil (em 2002) e que surpresa encontrá-lo na biblioteca perto aqui de casa, e com o carimbo de devolução mais antigo datando de 2010!

17 de fevereiro de 2017

Meu Deus. Música. A quatro anos-luz.


The Sparrow, de Mary Doria Russell. Ouvi falar desse livro ano passado. Achei na Estante Virtual a R$15. Para alguém que assistiu “Contato” mais de trinta vezes durante a adolescência, uma obra como essa não passa despercebida. Deixei que ela me perseguisse por mais algum tempo e comprei esse mês.
Chegou, comecei, bem sussa de ler, e não me conectei com nada capítulo após capítulo. Eu já sabia de tudo o que tava para acontecer até a última página, só tava esperando por uma escrita incrível. Daí, quando chegou a cena em que o cientista em Arecibo constata que aquele sinal é um sinal alienígena... que horror. Parece uma cena do Castelo Rá Tim Bum – ele contando pros amigos o que descobriu e todo mundo bolando como chegar lá. Abandonei no fim do capítulo, página 100. O livro tem 431.
Acabei de ver uma moça falando que a ficção científica aqui é um verniz, o livro é essencialmente sobre fé. Acho que esse não é o meu problema com o livro, os mistérios do religar sempre me interessaram. Alguém no goodreads mencionou a semelhança desse romance com o conto “A Estrela”, do Arthur C. Clark (li online, parece uma crônica, mas tem uma última frase genial).

12 de fevereiro de 2017

Domingo

Continuando minha leitura da biografia “Darwin – um evolucionista atormentado”. Estou falando da página 213 até a 408 (terceira e quarta parte). 
A terceira parte me googlelizou bastante. Respostas levaram a outras perguntas. Por que o ocapi é da família das girafas e tem listras como zebras? Por que zebras têm listras? Preguiças gigantes pedem árvores gigantes? A visão de Buda sobre os animais. Qual o livro sagrado dos budistas? Bem vindo tem hífen? Por que a mão tem impressão digital? (busca por fotos da impressão digital em outros primatas). Quais as maiores crateras na Terra? Darwin continua atual? Entre outras.
Eu tinha trechos para colocar aqui, mas a quarta parte do livro foi tão chata, tão dementadora, que tirou a minha vontade de viver e não to com paciência pra dividir mais nada. Olha, se chegar livro amanhã eu vou acompanhar o restante da vida do Darwin pela Wikipédia.

11 de fevereiro de 2017

Atlas dos Lugares Sagrados

Quanto tempo dura a lista dos melhores livros que já li na vida?
Tenho pensado que é algo perto de sete anos, embora autores de outras “eras” possam continuar brilhando – não só porque são bons, mas porque foram lidos na hora perfeita. Conheci a poesia de Bento Nascimento em 1998 e até hoje ele é meu poeta favorito. Li apaixonadamente cinco vezes “Cem Anos de Solidão” em algum espaço de tempo entre meus 15 e 25 anos, e hoje não consigo levar esse livro a sério. 
Sinto que minha lista atual de livros preferidos já começa a se perder em uma neblina de transição (de um ser para outro), por isso decidi registrá-la. E como é difícil esse registro, essa medição! Especialmente do quarto lugar até o décimo: os títulos podem transitar com facilidade de uma posição para outra. 
Mas vamos ao Top 10 em poema, conto e romance.



POEMAS


1º “Estou em Zimbros”, Bento Nascimento. O Bento é dono de inúmeros pequenos poemas que eu amo demais desde a minha pré-adolescência, mas nos últimos anos (especialmente depois de ter escrito uma “biografia” dele) esse é o que me mata. Zimbros, essa praia excessivamente calma, onde ele trabalhou como garçom em alguns verões, ganha um pôr do sol por dentro:

“Estou em Zimbros
cumprindo os dias que me deram nesta vida.

Que me deram
e que eu não sei
porque aceitei.”


2º “Ovelha na Névoa”, Sylvia Plath. Eu não sei de quem é essa tradução, mas eu gosto muito dela até hoje (com todos os seus equívocos?).

“Ovelha na névoa

Colinas mergulham na brancura
estrelas ou pessoas
me olham com tristeza, desapontadas
comigo.

Um assobio de trem fica no caminho.
o lento
cavalo cor de ferrugem,

cascos, sinos doendo,
a manhã toda
manhã ainda escurecendo,

essa flor ao relento.
Meus ossos sentem um sossego, os campos
distantes dissolvem meu coração.

Eles ameaçam
me abandonar por um céu
sem estrelas e órfã,
uma água escura.”


3º “A Nódoa”, Telma Scherer. Essa versão do poema não foi parar no livro “Rumor da Casa”, porque a Telma foi alterando os poemas durante as performances. Vários poemas do livro sofreram essas alterações por causa da sonoridade e, na minha opinião, faliram. Mas essa versão inicial de “A Nódoa” (deve ser de 2006) continua soberba para mim:   

“A Nódoa

Castelo construído pela dor: a nódoa invisível dentro do corpo.
A princípio despercebida, ela se instala no centro do vulcão.
E cresce e se alimenta de mágoa, olhares trocados, palavras-silêncio.
A nódoa.
Ela se infiltra no surgimento da estrela
E deixa o céu amargo toda a noite.
Ela finge cantar a Baco mas desmorona na primeira esquina.
Ela se alimenta de opiniões.
A nódoa.
Ela serve aos bons negócios e aos comerciais.
Ela finge estar sóbria,
E sorri em propagandas de margarina.
A nódoa.
Ela testa seus resultados, não acredita no amor, engana.
Diz geralmente o contrário do que sente.
Postula lucros, alimenta discórdias.
A nódoa é transparente,
Invólucro,
Pedido.
A nódoa não convence mais ninguém.”


4º “Redondilhas”, Guto Leite. Conheci esse poema sendo jurado de um concurso online. Lindo. Lidem com isso:

“redondilhas

quando eu tinha cinco anos
disse a criança de sete
descobrindo a nostalgia”


5º “As únicas notícias que tenho”, Emily Dickinson. Visualiza a vida dessa pessoa, e vai:

“As únicas notícias que tenho
São boletins o dia todo
Da Imortalidade”

6º “Rua da Arrábida”, Miguel-Manso. Miguel, a única informação que tenho é que você é português, mas como diria a barda Avril Lavigne: “I don't know who you are. But I, I'm with you”.

“Rua da Arrábida

estão a demolir pedra
a pedra o prédio ao lado

quem passa agora na rua
parece lamber com o olhar
a falta de um dente”


7º “Não conte casos, a senhora está velha”, Ferreira Gullar. A primeira vez que eu li esse poema, meu único objetivo de vida tornou-se decorá-lo. Decorei, declamei em saraus, e ele serviu de base para os mais lindos poemas misóginos que já escrevi na vida. Talvez eu esteja fazendo uma interpretação errada de mim mesmo há dez anos, e eu apenas fui gay, mas o que importa é que esse poema é uma escola de descrição (e não de discrição, né benhê?):

“Não conte casos, a senhora está velha.
As suas mãos secam, os seus dedos, os braços.
As unhas, sem brilho, cansaram de crescer.
Não finja, não brinque com crianças. 

Não esqueça o seu corpo!
Os cabelos embranquecem e caem.
Os dentes apodrecem e caem.
A senhora está gastando, sozinha,
como os seus móveis de jacarandá em sua alcova.
O seu nariz perde a forma, engrossa, dobra,
é uma tromba.
O rosto apagado (como um sol morto que nunca foi vivo)
e enxuto, os olhos rodeados de infinitas pálpebras
e melancolias... me lembra o pó o pó o pó irremissível! 

A senhora tem quarenta e nove anos, não é?
e as suas pernas afinaram e as coxas afinaram;
as nádegas, amolecidas na paciente rendição
ao urinol cotidiano, as vossas severas nádegas,
minha senhora, murcham sob as roupas.

Triste cabelo, o que resguarda o seu sexo. Contra quê?
Não espere mais, a senhora sabe que já não seria possível. 

Comovem-me os seus pés ossudos, velhos de séculos,
como os dum galináceo. A senhora é grave,
apesar de todos os seus vícios; apesar do bâton
e do rouge tardios e das sobrancelhas tiradas em vão.
Apesar da forma ridícula que o corpo
ganha e perde no arco de sentar-se.

O silêncio do seu corpo em pé, erguido no ar dos dias,
desamparado como uma janela
(que em tarde qualquer não estará aberta,
nem fechada, em parte alguma do mundo). 

Não saia. Sente-se nesta cadeira. Ou naquela.

Olhe o assoalho poeirento, que a senhora
há duzentos anos pisa sem ver: olhe a luz nas tábuas,
a mesma que incendeia as árvores lá fora.
A tarde nas tábuas.
Deixe que lhe penetre a densa espera do chão.”


8º “There was an Old Man”, Edward Lear. Isso aqui é fruto de más companhias que me fizeram ler e escrever limeriques há alguns anos (que momentos maravilhosos!), mas no fim das contas me marcou demais porque ele é diferente de tudo o que você espera de um limerique:

"There was an Old Man who said, "Well!
Will nobody answer this bell?
I have pulled day and night,
Till my hair has grown white,
But nobody answers this bell!"


9º “Close, close all night”, Elizabeth Bishop. Que conheci no cinema, declamado naquela cena linda de Flores Raras. “One Art” também é um poema maravilhoso, mas como é raro um escritor trabalhar com o objeto livro de forma encantadora em um texto, DUZENTOS PONTOS PARA GRIFINÓRIA:  

“Close, close all night
the lovers keep.
They turn together
in their sleep,

Close as two pages
in a book
that read each other
in the dark.

Each knows all
the other knows,
learned by heart
from head to toes.”


10º “Viajando no escuro”, William Stafford. Esse poema eu li há poucos meses (no jornal Rascunho) e por isso to achando até estranho de colocar aqui. A primeira impressão que tive foi de que era um poema simples demais, e até me perguntei: por que alguém precisa publicar isso? Não basta ter para si essa vivência? Porém, com o tempo, o poema foi voltando à minha mente e sim: é para isso que serve a poesia. Serve para mil coisas, mas serve para isso também.

“Viajando no escuro

Viajando no escuro eu encontrei um cervo
morto na beira da estrada do Rio Wilson.
O ideal é normalmente fazê-los rolar cânion abaixo:
aquela estrada é estreita; tentar desviar pode causar mais mortes.

Com o brilho da luz da traseira eu tropecei atrás do carro
e caí sobre o volume, uma corça, uma morte recente;
ela já estava rígida, quase fria.
Eu a arrastei; ela estava gorda na barriga.

Meus dedos, ao tocar a lateral dela, me esclareceram —
a lateral dela estava quente; seu filhote estava lá, esperando,
vivo, ainda, para jamais nascer.
Na beira daquela estrada na montanha eu hesitei.

O carro apontava para adiante suas lanternas;
sob o capô ronronava imperturbável o motor.
Eu junto ao escapamento, que ia ficando vermelho;
em volta de nós eu podia escutar o mundo selvagem nos ouvindo.

Eu refleti intensamente por todos nós — meu único desvio —,
e então eu a empurrei para que despencasse no rio.”




CONTOS


1º “Prelúdio”, Katherine Mansfield
Embora tenha sido “As Filhas do Falecido Coronel” que me virou de cabeça para baixo e me fez amar Mansfield, eu acho que as 50 páginas de “Prelúdio” são donas de tanto amor pela vida, e tanta consciência de vida, que eu fico com ele. A cena em que o adolescente mata o pato na frente das crianças – e que acaba com a menina descobrindo que ele usa brinco – é Katherine Mansfield no ápice.

2º “A Boa Gente da Roça”, Flannery O´Connor
A Flan é uma escritora bem “homogênea”, digamos assim. Todos os seus contos giram em torno dos mesmos (e poucos) temas, de uma única linguagem e uma única estrutura. Por isso é fácil imitá-la; impossível é alcançar a excelência daqueles textos. Seu primeiro livro de contos, “É difícil encontrar um homem bom” ainda é um dos melhores livros que já li. “O círculo no fogo”, “O nego artificial”, “O rio”, “A vida que você salva pode ser a sua” são perfeições. Mas é “Good Country People” que chega mais alto.

3º “Sem lugar para você, meu amor”, Eudora Welty
A delicadeza desse conto é tão imensa que a última linha foi como levar um tiro. Welty é uma contista genial, multidimensional, que aproveita todos os silêncios possíveis e nos deu aquele sonho que é “As Maçãs Douradas” (há contos nesse livro que já li quatro vezes, e são enormes: Chuva de Ouro, Recital de Junho, The Wanderers). Mas escolho “No place for you, my love” (que é de outro livro) porque beira o nada a cada segundo e você perde tudo no final – igual a vida.

4º “O Urso” (versão menor), William Faulkner
Eu já coloquei essa versão traduzida ali no Medium, que li em estado de graça ao encontrar numa antologia em um sebo. Muito diferente do cansativo “O Urso” de cem páginas que aparece em “Desça, Moisés” e até em volume próprio aqui no Brasil. Faulkner encanta até nos contos menos importantes – mas há de se cuspir em “A Rose for Emily” e mencionar que “Red Leaves” é inesquecível. 

5º “Arcturus”, Evan S. Connell Jr
Esse é o maior e melhor de “O Colorido do Mundo e outros contos”. Não se importe em desconhecer o autor, em ninguém falar dele, no filme antigo baseado no romance do cara. Apenas compre já esse livro na Estante Virtual.

6º “Shadrach”, William Styron
Esse autor me desinteressa extremamente, mas que conto. Aparece em “Uma Manhã em Tidewater”.

7º “Noon Wine”, Katherine Anne Porter  
Ela é demais, né. Tem vários contos espetaculares.

8º “A Mother´s Tale”, James Agee
Como é que o mundo não fala desse conto? Ele não é nada do que você espera, ele não escorrega para uma moralidade clara em nenhum segundo, ele é o máximo. Fácil de encontrar online.

9º “Rikki-Tikki-Tavi”, Rudyard Kipling
Difícil eu gostar de contos de animais, mas eta coisa linda. Aparece no “Livro da Selva”.

10º “Where Are You Going, Where Have You Been?”, Joyce Carol Oates
Fácil de achar online. Perfeição. Só o título já é o caranguejo do Chuang Tsé. 




ROMANCES


1º Toni Morrison: Amada
2º Richard Yates: Revolutionary Road
3º Karen Blixen: A Fazenda Africana
4º Dorothy Whipple: Someone At a Distance
5º E. M. Forster: Howards End
6º Nathaniel Hawthorne: A Letra Escarlate
7º Jane Austen: Pride and Prejudice
8º Virginia Woolf: Ao Farol
9º John Irving: As Regras da Casa de Sidra
10º Emily Brontë: Wuthering Heights


***


(eu não tenho dúvida de que com o tempo o blogspot vai desconfigurar todos os meus negritos e espaçamentos desse post, MAS EU NÃO VOU FAZER TRÊS POSTS!!)

6 de fevereiro de 2017

O livro de não-ficção, este ovni

Abandonei hoje “Crash – Uma breve história da economia”, de Alexandre Versignassi. Peguei esse livro na biblioteca porque gostei muito de um texto do Alexandre sobre o que esperar da economia mundial com a posse do Trump, mas nem vou colocar o link aqui porque dias depois o texto foi bastante alterado, e não só se tornou travado como ganhou erros de revisão. Essa segunda versão do texto jamais me teria feito pegar o livro.
A primeira metade de Crash é incrível: com uma linguagem clara, um pensamento bem humorado cheio de ritmo e sagacidade, pude ter uma ideia de como nasce a inflação, os bancos, o banco central, as cédulas, a bolsa de valores. Usando momentos sociais mais simples (Roma Antiga, Holanda na Idade Média) ele faz paralelos fascinantes com momentos importantes da economia brasileira e americana no século XX, por exemplo. Mas a partir de um ponto o texto fica mais voltado para os últimos anos (Bolha da Internet, Eike Batista) e acho que isso pede um interesse por economia avançado demais pro meu gosto. 

Um trecho de Crash

Quando o Alexandre Versignassi começa a explicar o nascimento da primeira bolsa de valores, o terreno que criou o povo que criou essa forma de vivenciar dinheiro, o antropólogo em mim já começa a estourar champagne né. Antropólogo com uma queda pro sai fai. Página 114:
                                               
“A bolsa de valores veio do pântano. Do pântano que a Holanda era há mil anos. Um quinto do território atual do país estava debaixo de água e o resto sofria com as cheias, um ano sim e o ano seguinte também. É natural: a Holanda fica encurralada entre o mar do Norte e a foz de dois rios gigantes, o Reno, que desce da Alemanha, e o Mosa, que chega de França. O delta dos dois junta-se no leste dos Países Baixos, formando um labirinto de rios menores.
Ninguém deveria viver naquela região, e tirando meia dúzia de pescadores, ninguém vivia mesmo. Foi a sorte grande do lugar que viria a chamar-se Holanda: o feudalismo não fincou raízes por lá. Enquanto no resto da Europa os agricultores viviam em estado de semiescravidão, trabalhando para poucos e gordos latifundiários (também conhecidos como “nobres”), na molhada Holanda muitos eram donos do próprio nariz: plantavam, pescavam, vendiam e compravam por conta própria.
Não que aquilo fosse uma comunidade hippie medieval. Também havia nobres, donos de terras maiores, mas o modelo feudal de trabalhar na terra em troca de casa e comida não pegou. Boa parte do trabalho, afinal, era tirar a própria Holanda de debaixo de água para terem onde plantar e criar gado. Para tirar terras de debaixo de água ou afastar a ameaça constante das cheias nas partes secas, só com muito trabalho coletivo. 
Os holandeses aprenderam a unir-se para domarem a natureza. Construíram represas, milhares de canais para drenar a água das terras aráveis e moinhos para bombear essas águas. Os nomes das maiores cidades da Holanda ecoam esse passado. Dam significa “represa”: Amesterdão é a represa do rio Amstel e Roterdão a do rio Rotte. Os apelidos típicos dos Países Baixos também são molhados: Van Damme (“da represa”), Van Dijck (“do dique”). Os séculos de trabalho em equipe fixaram um caráter democrático e humanista na região.” 

Enfim: o povo, e não só os nobres, financiaram as idas de frotas holandesas até as Índias na busca por especiarias, e todo o lucro ou fracasso dessas ações criaram a primeira bolsa de valores.

Uma coisa que ficou presa aqui. Sim: um país que não tem medo de enxergar e tratar feito gente até seus viciados em drogas e profissionais do sexo causa uma admiração gigante e me faz sonhar com uma consciência global assim, mas aquele trecho ali me relembra que a natureza do ambiente cria a natureza de seu povo – e eu caio na real. E olha que incrível: essa gente de “caráter democrático e humanista” não deixa de ser humana, não deixa de ser terráquea. Quando os holandeses descobriram o arquipélago de Banda, na Indonésia, e os nativos não aceitaram a invasão, o capitão de navio e diretor da companhia contratou tropas de mercenários japoneses para torturar e matar o problema. O arquipélago tinha 15 mil habitantes quando os holandeses chegaram – quinze anos depois, eram 600. “Para ser um grande executivo no século XVII, você precisava ser um grande executor” (página 124).

3 de fevereiro de 2017

Beagle e Pequod

Decidi ir na biblioteca perto de casa para pegar alguma biografia. Nas prateleiras da área encontrei “Darwin – a vida de um evolucionista atormentado”, de Adrian Desmond & James Moore. Nunca li “A Origem das Espécies”, e a referência mais recente de Darwin na minha vida tem uns vinte anos: a voz do meu professor de biologia na sexta-série triplicando o poder do acento na palavra Galápagos. GaLÁpagos. E eu adorava biologia também. Então decidi o seguinte: se a primeira frase do livro me parecesse pelo menos razoavelmente interessante, iria embora na hora com ele. Pulando introduções, eis: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento” – to brincando! “O avô de Charles Darwin, Erasmus, possuía um intelecto cortante e uma profunda repulsa em relação a divindades intrometidas. Linguagem chula e humor extravagante se misturavam em seu corpo rotundo, e ninguém era poupado deles.” A frase é enorme e não vou botar tudo aqui, mas fui fisgado. Já tá me dando a atmosfera familiar e social na qual um Charles Darwin pôde florescer.  
A introdução do livro é poderosa, porque eu nunca havia cogitado o problema que é ser Darwin. Ele era muito religioso e as paredes que a religião erguiam na mente dele vs a consciência que ele estava adquirindo através do seu amor e interesse pela vida = criaram uma angústia tenebrosa e duradoura. Mas ainda é cedo para falar sobre isso e eu quero terminar o livro (de 700 páginas!) justamente para conhecer um pouco desse lugar.
Como eu não to com pressa e o livro pede engajamento, talvez o retome daqui dois dias, duas semanas ou dois meses. Nesse texto vou falar um pouco sobre o que já li, da página 1 até a 209 (onde acaba a segunda parte).
A primeira parte revela uma escrita bem agradável, mesmo nos tópicos desinteressantes – embora os anos de estudo do Darwin em Edimburgo criem algumas vivências cheias de cor e texturas. Só que o livro muda completamente a partir da página 119 (começo da segunda parte), porque o jovem de 22 anos é convidado para dar a volta ao mundo num pequeno navio. O Beagle, com propósitos científicos e políticos, precisava de um naturalista. E daí, só do navio conseguir zarpar, e com o Darwin dentro, já é uma aventura lascada. Várias frases incríveis do próprio Darwin começam a aparecer no livro a partir de então, porque ele manteve diários durante a viagem. Vou usar itálico aqui quando for o caso.
A primeira frase do livro que me freou forte está na página 143. Em alto mar, no meio de uma noite qualquer, “o oceano estava tão luminoso com microorganismos que os pinguins podiam ser seguidos por sua esteira”. Isso me lembra aquela cena da baleia no filme A Vida de Pi, que parece tão irreal, tão artificial (aqueles bichinhos de led lisérgico deixando o mar tão aceso) e eu cogitei que, assim como fazer fogo em efeitos especiais é uma coisa difícil, aquilo que tava passando na tela devia estar tentando se aproximar de alguma coisa muito doida e real. Mesmo o tigre, muito bem feito, a gente vê que aquele rosto não tem uma naturalidade. Enfim. Isso me lembra outra coisa do filme: quando passa a cena dos peixes-voadores, um conhecido meu achou que aquilo fosse invenção, animais imaginários. Realidade: cada cabeça tem a sua, né?
Quando o Beagle tá transitando pelos labirintos da Terra do Fogo, Darwin pôde observar alguns nativos andando pelados naquele frio absoluto, bastante hostis, dormindo no chão ao relento igual cachorro, vivendo de caça num terreno de escassez de caça. Página 172: “Nem a imaginação poderia pintar um cenário em que os seres humanos parecessem ter tão pouca autoridade”.
Mas o Darwin descia do barco, passava semanas em terra, e quando visitou o Brasil amou as florestas e ficou horrorizado com a escravidão. No Chile ele presenciou também um terremoto potente e teve algumas eurekas com relação à geologia e ao ser humano. “Saqueadores rondavam as ruas, misturando religião às suas depredações... A cada pequeno estremecer do solo, com uma mão eles batiam no próprio peito e gritavam ‘Misericórdia’ e com a outra continuavam a surrupiar coisas das ruínas.”
No fim das contas sempre fica um gostinho de Moby Dick no ar, e aí você constata a proximidade quando eles estão passando perto da ilha de Chiloé. “O Dia de Natal foi deprimente; o vento estava feroz e as ilhas desertas e encharcadas fizeram todos se lembrar do Horn. Elas não eram exatamente desertas – no dia 28 eles deram com um marinheiro acenando furiosamente com sua camisa em um ponto da costa, e um bote foi enviado, com Darwin dentro dele. Eles encontraram cinco náufragos norte-americanos. Nunca vi tamanha ansiedade em faces humanas, escreveu. Os infelizes haviam desertado de uma baleeira de Massachusetts sem saber que caminho tomar ou onde estavam. Seu bote fora destruído e por mais de um ano eles haviam sobrevivido com carne de foca, mariscos e esperança. Durante todo aquele tempo avistaram velas apenas uma vez e estavam quase pulando na água quando o bote os pegou.” 

29 de janeiro de 2017

Mas acabei não assistindo

Passando pela sala na madrugada deste domingo, na tevê um filme com uma fotografia muito bonita, com uma Kate Winslet muito bonita, e com um q de anos 50 mas daí surge um pôster do filme ET e você acaba sentando no sofá para bisbilhotar. Minha mãe me diz que o filme chama-se Refém da Paixão mas que em inglês é tipo “Lord´s Day” [sic]. Em pouco tempo começo a suspeitar que é adaptação de livro – uns flash-backs retalhados, a voz em off de um narrador que relembra pesadamente de tudo. Venho ao google e descubro que o filme (de 2013) é baseado num livro da Joyce Maynard (aquela de quem a gente só fala que teve uma relação com o Salinger) chamado “Labor Day” (“Fim de Verão”, que tá barato na Estante Virtual, quem sabe um dia). O que me deixou intrigado mesmo foi essa capa Receitas de Nigella que a editora Rocco escolheu para jogar o livro no Brasil.

  

27 de janeiro de 2017

Thomas Wolfe, Vermelho Amargo, Galliano

Compelido por um tédio desesperador, eu entrei na netflix. E numa das sugestões, cliquei no filme “O Mestre dos Gênios”, sobre o editor lá de Nova York que publicava gente como Hemingway e Fitzgerald nos anos 30. Quando entra na segunda cena, com o personagem lendo no trem um original do Thomas Wolfe, e sendo enlevado por aquelas flatulências poéticas, eu já tava achando bucha. Quando o editor chega em casa e vai abrindo portas, eu abri um sorriso com isso aqui:


Porém, na outra cena, dia seguinte, quando o Thomas Wolfe entra na sala do editor fazendo a loka deslumbrada elétrica criativa, o filme morreu para mim. Não me interessa se o Wolfe era assim ou se está sendo pintado assim. Não. E não é Não.
(isso me fez pensar até o seguinte: quando o Jude Law assina o contrato para fazer um papel, e o conhecimento de cinema que ele tem indica que a cena não vai ficar boa, que o diretor tá escolhendo um caminho pavoroso... como será que é trabalhar nesse estado de consciência? Como será que é esforçar-se no erro do outro? E ver o filme depois para constatar algo igual ou pior do que já se previa? Não deve ser simples assim, deve ser simples de outra maneira)
Mas eu to aqui para falar de mim e do Thomas Wolfe, que de vez em quando confundi com o Tom Wolfe nas minhas andanças apaixonadas pela literatura do sul estadunidense (eu tive até um blog chamado “É difícil encontrar um blog bom”, que começou por causa da Flannery, onde eu traduzi ou transcrevi bilhões de trechos de romances, contos, cartas e ensaios de vários autores sulistas). Em algum momento quase encomendei “Look Homeward, Angel”, mas eu sempre dei um passo para trás e não lembro por quê. Olhando agora na Wikipedia, “highly autobiographical” e “coming-of-age” ainda são rótulos que me fazem desviar de um livro. Mas depois daquele começo de filme entendo que o Thomas Wolfe era autor de prosas bem poéticas, e por isso não se fala dele no Brasil. No Brasil a gente já tá cheio de mestres nisso, e há um limite para essa admiração – Raduan Nassar, por mais que façam edições de luxo, não nasceu para best-seller. Há até alguns textos superestimados nessa linha, como aquele conto lá vendido como romance, “Vermelho Amargo”, do tal Bartolomeu, só de sobrevoar aquilo já me dá um sério?, o tomate, o tomate, o tomate translúcido, e aquele projeto gráfico da Cosac, pobre e pretensioso igual a esse desfile do Galliano (uns vestidinhos de 25 mil dólares com cara de 25 de Março). Mas tirando esse momento, o Galliano é dono de umas prosas poéticas em passarela que me fazem ter orgulho de ser humano.     

25 de janeiro de 2017

A interpretação de uma planta

Como plantas imitam insetos se elas não têm olhos?
Resposta aqui ou Pare de ver humanidade em tudo.

Cinco centímetros de marfim

ou Um efeito minúsculo depois de muito trabalho

Trecho de uma carta da Jane Austen para o sobrinho James Edward escrita nos dias 16 e 17 de dezembro de 1816:

“What should I do with your strong, manly, spirited sketches, full of variety and glow? How could I possibly join them on to the little bit (two inches wide) of ivory on which I work with so fine a brush, as produces little effect after much labour?”

16 de janeiro de 2017

Éramos três

Ontem minha mãe pediu para que eu consultasse na internet como se escreve /iskéi/, que minha bisavó italiana usava para falar “dinheiro” (e na minha infância essa palavra ainda circulava muito pela família). Não encontrei no Michaelis, que só dava dinheiro como “denaro”, então decidi procurar no google: skei mezzi [significa] denaro, e o primeiro link é da Wikipédia: Schei.
Olha que maravilha: schei é um termo do dialeto vêneto. Nasceu entre 1815-1866 quando a região do Vêneto estava sob o domínio austríaco, a moeda em circulação era o scheid.munz (não sei falar alemão, mas suspeito que isso deva ser pronunciado /chaid-munz/), porém a palavra escrita foi rolando na boca do povo até ficar só schei (/iskéi/).
Isso me faz lembrar de algum livro sobre imigração italiana no Brasil e lá dizia que os primeiros imigrantes italianos (século XIX), se fossem de regiões diferentes, não conversavam entre si. Colocar um colono de Nápoles diante de um colono de Parma era o mesmo que colocar um russo e um português para conversarem. Só que no dia a dia aqui no Brasil rolava até uma repulsa, uma inimizade entre esses imigrantes.
Se você consultar mapas da Itália no século dezessete e dezoito, vai ver que eram diversos países ali. Em 1796 a República de Veneza ocupava até a costa da Croácia, e o Reino da Sicília pegava quase até Roma. Nesse mesmo mapa, a República de Genova ainda existia, mas num mapa de 1815 ela já faz parte do Reino da Sardenha.
E isso me leva ao “40 Novelas de Luigi Pirandello”. Há alguns anos ganhei esse livro de contos num clube de leitura, e rendeu algumas experiências maravilhosas. Os encontros aconteciam na biblioteca do SESC, eram abertos, mas em geral somente participavam eu, a Márcia e o Wladimir. Um belo dia ela chegou com três exemplares novinhos (em capa dura!) desse livro e nos deu de presente. No encontro seguinte o Wlad sugeriu que nós pegássemos um conto (que tinha dois personagens homens, um mulher, e um discreto narrador onisciente em terceira pessoa) e cada um assumisse um personagem para leitura em voz alta. Que experiência incrível e intraduzível o silêncio que ficava quando era a fala do narrador (que estava sendo lida somente pelos nossos olhos), e daí quando se materializava no ar em seguida a voz de algum dos personagens. Especialmente porque o tempo do olho de cada um é diferente, então acelerar a fala do outro era uma tentação. E brochante quando acontecia.
Até hoje só li cinco contos do livro, e cada um deles me impactou de maneira diferente. Houve um que mostrava a pobreza e o vazio em que viviam os italianos que decidiam não vir para a América, e mexeu comigo de uma maneira ancestral. Inclusive em algum lugar eu li que o Pirandello revolucionou a escrita na Itália por abraçar os dialetos, ou por recusá-los, não lembro. Para alguém que nasceu em 1867, sem dúvida a coisa dos dialetos deve ter sido uma questão fundamental.
Vou terminar esse texto com um email que eu mandei alegremente para uns 20 amigos, em janeiro de 2015:

Hoje nós lemos um conto muito interessante no encontro literário: "Stefano Giogli, um e dois", de Luigi Pirandello, que está no '40 novelas' (editado pela Cia das Letras).
Começa como um conto tradicionalmente chato, do homem que se apaixona pela mulher, casa com ela e vai perdendo a identidade pra mantê-la no casamento. Mas quando esse homem começa a se questionar tal perda de identidade a coisa vai ficando tão rica que você morde o anzol e vai sendo levado para uma última página genial.
O conto tem umas dez páginas. Quem estiver de bobeira numa livraria, experimente.

14 de janeiro de 2017

Hello

Abandonei ontem “O Mar”, do John Banville. Era o único livro dele na biblioteca aqui do SESC. Há alguns anos tive vontade de ler “Luz Antiga” por causa do título, assim que foi lançado no Brasil com uma capa bonita, mas a sinopse não me agradou e tive a impressão de que minha idade para gostar desse tipo de livro estaria bem longe ainda. Porém, alguns dizem que não gostaram de “O Apanhador no Campo de Centeio” porque leram na época errada (depois dos 50), que deveriam ter lido na adolescência. Eu li “O Apanhador” na adolescência e não senti nada, então joguei essa ideia de idade certa no lixo e arrisquei meu primeiro Banville. 
Essa vibe do narrador em primeira pessoa voltando a um lugar/momento e revendo a vida é uma estrutura que costuma me desencantar. E daí você tem frases como eu-estava-lá-diante-daquela-parede-amarela-ou-seria-vermelha? e gastar palavras com essas coisas me irrita porque não é a memória que é traiçoeira: a mente é traiçoeira. No presente você já tá deturpando, tudo é leitura, tudo é lente. Então eu prefiro textos e seres que se sabem ficção e usam literatura para fazer outras coisas. 
Alguns cliques foram interessantes, como por exemplo quando o personagem está olhando moças na praia: “foi a vez de Chloe dobrar os joelhos, aproximá-los do peito — será uma coisa que fazem ou faziam todas as garotas, sentar-se daquele modo, na forma de um zê caído para a frente?”. Ou até “Desde quando os médicos começaram a ser mais novos do que eu?”.
Porém surgem muitas frases pomposas (“a complacência cruel das coisas comuns”) (“haverá coincidências nos domínios de Plutão, em meio a essa árida vastidão sem caminhos pela qual vagueio perdido, um Orfeu sem lira?”) ou palavras rebuscadas supostamente mais competentes (“o apóstrofo apotropaico que não engana ninguém”). E quando surgem aquelas frases existenciais que não te dizem bulhufas? “Mas também, em qual momento, de todos os nossos momentos, a vida não é totalmente transformada, de fora a fora, até a final e mais momentosa das mudanças?”.
Acho que desde de Gilead, da Marilynne Robinson, eu não lia tanta coisa desnecessária – só que Gilead eu li inteiro e ganha de qualquer um. Acho também que agora o Man Booker Prize virou referência negativa (embora eu tenha gostado de Os Vestígios do Dia).
Mas vamos ao momento fatal? Na página 26 nós temos um sonho. Nem sei por que considero tão ridículo a descrição de um sonho num romance. É que nem cena de parto em novela ou seriado... sério que a gente precisa acompanhar isso? Essa grande novidade, esse grande diferencial? COMO O TEU TEXTO GANHA COM ISSO. Enfim. Avancei mais umas dez páginas mas o livro já tinha me perdido.

6 de janeiro de 2017

Encontros com homens notáveis

Eu comprei To Bed With Grand Music achando que ia ser um livro menor da Marghanita Laski. Eu estava enganado. Que coisa maravilhosa... muito apedrejada no goodreads inclusive – a protagonista. 
Eu adorei a jornada de autoconhecimento, ou de autoaceitação, que a Deborah fez através dos vários amantes. Eu me desconectei da moça num determinado momento do penúltimo capítulo, quando ela mentiu de forma tão artística, mas no fim das contas a história voltou a trabalhar tão bem que eu já estava lá de novo. 
Dona Laski sabe transformar como ninguém contradições em literatura. Que momento incrível o final do sexto capítulo. É para Pierre, um homem atraente de uns 45 anos, que Deborah pede instruções e é ensinada sobre como ser a amante perfeita (o foco não é na cama, no sexo em si, mas o leitor pode imaginar alguma coisa ali também). Pierre fica contrariado mas aceita e vai se arrependendo no processo – porque vai perdendo a beleza da Deborah natural e ganhando algo brilhante e falso, igual a outras – mas no último jantar, quando Deborah já está pra lá de formada, ele se arrepende de não tê-la conhecido exatamente naquele momento.
A “grand music” do título nada mais é do que o barulho de bombas e alertas durante os ataques aéreos à Londres na Segunda Guerra Mundial, e que acabam desaparecendo durante o sexo. Essa Londres de jovens mulheres recém-casadas (e com maridos lutando e trabalhando e fazendo outras coisas durante anos em alguma parte longínqua do planeta) acaba sendo um cenário ímpar para o adultério. E o final do livro termina magnificamente em aberto: a guerra acabou, mas o comportamento e as necessidades da protagonista não. É maravilhoso ser permitido ao leitor não saber o que começa com o retorno do marido.

Sobre a compra.
Comprei pela Abebooks, na World of Books (Goring-by-Sea), dia 03/11/2016. A previsão de chegada era pra 13/12/2016, chegou sete dias depois e com uma surpresa: não era a edição anunciada. Pedi da Persephone, mas veio da editora Isis (capa feia, mas edição bem boa de ler). O ISBN, que não cliquei na data da compra, era da Isis, mas a foto era de um Persephone ou constava na descrição que a editora era a Persephone (acho muito difícil eu comprar um livro sem ao menos saber como é a capa). 
Como paguei barato (livro + frete: US$8 ...... o dólar a R$3,35 = R$26,80) e dois livros da mesma loja comprados em outubro devem estar a caminho do extravio (essa novela eu conto em outro post), achei melhor não reclamar de novo e não comprar mais lá tão cedo. 
Não me parece agora que só nossos Correios e Alfândegas sejam o problema. Andei dando uma vasculhada nas reclamações online e os próprios ingleses relatam umas situações bizarras que o Royal Mail produz, como devolver o livro ao remetente porque o objeto foi extremamente danificado durante as primeiras etapas do trajeto. Pelo menos os clientes de lá podem a glória de um rastreamento, de saber (o absurdo!) que aconteceu. Outros reclamam que a World of Books joga o preço do livro lá em baixo, mas se ele chega completamente diferente para você, ou se nem é enviado, que vantagem há?
A gente é refém em tudo quanto é lado. 

3 de janeiro de 2017

Os melhores livros de 2016

1º Someone at a Distance (Dorothy Whipple) 
Apenas quero ler tudo o que essa pessoa já escreveu. 

O Silêncio (Shusaku Endo) 
Esse livro é um milagre. 

Little Boy Lost/ The Victorian Chaise Longue (Marghanita Laski)  
Com esses dois títulos, Marghanita já é uma presença em mim. 

Kindred (Octavia Butler)
O melhor livro de ficção centrado em escravidão depois de Amada (que é um dos meus livros preferidos). 

William – an Englishman (Cicely Hamilton)
A cena mais incrível do ano está nesse livro. E, além do mais, chacoalhou a visão negativa que eu tinha sobre patriotismo.